Rio Branco, AC, quarta-feira, janeiro 14, 2026

Pedais para Novos Tempos transforma trabalho prisional em reencontro, dignidade e esperança no Natal

O cheiro de almoço caseiro e cuidado deram o tom de um Natal diferente no Complexo Penitenciário de Rio Branco. Nesta segunda-feira (22), o Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen) promoveu um momento simbólico na oficina de reconstrução do presídio: a entrega de bicicletas confeccionadas por detentos a seus próprios familiares, seguida de um almoço natalino.

A ação integra o projeto Pedais para Novos Tempos, iniciativa que une ressocialização, qualificação profissional e fortalecimento dos vínculos familiares. Mais do que restaurar bicicletas, os participantes do projeto constroem oportunidades. Cada equipamento entregue foi pensado, montado e finalizado pelos próprios privados de liberdade, que agora veem o resultado do trabalho ganhar novos caminhos fora dos muros do sistema prisional.

Para o diretor de Reintegração Social do Iapen, André Vinícius, iniciativas como essa dão sentido concreto ao processo de ressocialização. Segundo ele, o trabalho desenvolvido na oficina permite que os privados de liberdade exerçam criatividade, responsabilidade e autonomia, além de manterem vínculos com a família.

“Cada privado faz a sua própria bicicleta, cria com a sua imaginação e entrega para o seu familiar, seja para uso ou para comercialização. Hoje, além da entrega, estamos reunindo familiares em um almoço de Natal, fortalecendo laços e mostrando que a ressocialização é possível quando há oportunidade e acompanhamento”, afirma.

Atualmente, oito detentos atuam na oficina, onde também são realizadas restaurações de veículos e motocicletas. O projeto é considerado piloto dentro do Complexo Penitenciário e já se tornou referência institucional, contando com apoio do Tribunal de Justiça do Acre, por meio de verbas pecuniárias. A expectativa da direção é ampliar gradativamente o número de vagas e alcançar mais internos ao longo do tempo.

Entre os participantes do projeto, o sentimento predominante foi o de reconhecimento e transformação. O detento J. P., que atua desde o início no projeto, relatou que a oficina representou uma virada em sua trajetória dentro do sistema prisional. Além de aprender novas funções, ele também passou a compartilhar seus conhecimentos artísticos com outros colegas.

“É uma gratificação muito grande. A gente nunca esperava uma oportunidade dessas. Eu sou grafiteiro e faço arte, e aqui pude ensinar também. Quem iniciou esse projeto fui eu, em parceria com o diretor do presídio e não imaginava que ele chegaria a esse tamanho”, relata.

O diretor da Divisão de Estabelecimento Penal de Regime Fechado, Caio Carvalho, destacou que o projeto foi estruturado a partir de critérios técnicos e disciplinares, aproveitando habilidades que os próprios detentos já possuíam.

“Iniciamos com doações de bicicletas e hoje temos presos restaurando bicicletas do Tribunal de Justiça, além de veículos e motos. A seleção foi criteriosa, e muitos já tinham experiência. A ideia é ampliar, oferecer cursos e criar mais vagas de trabalho para quem hoje está ocioso.”

[Agência Brasil]

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