O Parque Estadual Chandless e o Parque Nacional da Serra do Divisor, ambos no interior do Acre, são indicações de destinos ideais no Catálogo de Experiências do Turismo de Observação de Aves no Brasil, um produto consultivo de birdwatching (observação de aves), elaborado pelo Ministério do Turismo (MTur).
Os parques foram indicados para a publicação pela Secretaria de Estado de Turismo e Empreendedorismo (Sete), como locais de prestígio para a prática da atividade que envolve a possibilidade de avistar aves raras e endêmicas.
Para o titular da pasta, Marcelo Messias, o turismo de observação de aves é um dos setores que mais tem se destacado no Acre. “Estamos inseridos na região amazônica, o que por si só já é uma atração turística internacional. Então temos trabalhado para fortalecer tanto o turismo interno quanto a promoção do Acre, além de promovermos capacitações de bem receber, para melhor atender entusiastas que vêm de todos os lugares do mundo para conhecer as espécies da região”, destaca.

De acordo com o diretor de Turismo da Sete, Jackson Viana, o Acre é considerado o paraíso das aves entre os praticantes de birdwatching e a Secretaria de Turismo busca fortalecer o segmento. “Nós participamos de feiras nacionais – como o Avistar Brasil – levando o birdwatching, levando operadores de turismo que trabalham com esse segmento, promovendo atividades também aqui dentro do estado, de visitação a parques ambientais e locais onde existe a prática de observação de aves, bem como no Parque Nacional da Serra do Divisor”, destacou o diretor.
“É um trabalho que nós temos buscado fortalecer e consolidar e que ganha um novo registro e referência nacional ao fazer parte desse catálogo que detalha toda essa riqueza de aves do nosso país e que o Acre tem destaque nesse sentido. Então, para a nossa participação nesse processo, tivemos o cuidado de ajudar a fornecer informações para que agora tenhamos essa referência nacional por meio desse catálogo”, acrescentou Jackson.
Marco histórico na Ornitologia
Em janeiro do ano passado, o tovacuçu-xodó (Grallaria eludens) foi registrado por foto pela primeira vez na história, e a floresta acreana foi o cenário da façanha. A ave rara foi fotografada no Parque Estadual Chandless pelo biólogo e especialista em aves da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), Ricardo Plácido.

Também em 2025, foi confirmado o registro de uma nova espécie de inhambu, a sururina-da-serra (Slaty-masked Tinamou), no topo do Parque Nacional da Serra do Divisor. A ave, localizada entre 300 e 500 metros de altitude, foi fotografada pelo pesquisador Luís Moraes, confirmando suspeitas dos ornitólogos Fernando Igor de Godoy e Ricardo Plácido, que já haviam feito uma gravação do canto da ave, em 2021.

Segundo o biólogo Ricardo Plácido, a observação de aves no Acre pode parecer uma atividade discreta, uma vez que os praticantes chegam de madrugada, passam o dia passarinhando (como é chamada a prática de observação de aves), geralmente na zona rural, e voltam à noite apenas para comer e dormir. No entanto, de acordo com o profissional, a prática de birdwatching tem uma história de mais de 10 anos no Acre e o reconhecimento do estado no Catálogo de Experiência em Turismo de Observação de Aves no Brasil veio para coroar esse trabalho.

“Na atividade em si, as pessoas querem aproveitar ao máximo a experiência em campo, na natureza, observando e fotografando os pássaros. Por isso que muitas vezes elas passam despercebidas. Mas esse fluxo já vem há mais de dez anos aqui no Acre e as plataformas de registros vêm demonstrando isso. As plataformas vêm tendo uma ascendência de número de registros e de espécies importantes que têm gerado repercussão nacional e induzindo a vinda de mais pessoas ao longo de quase quinze anos”, destacou Ricardo.
Reconhecimento e preservação da natureza
Os registros do tovacuçu-xodó já tinham colocado o Acre em evidência e a confirmação da sururina-da-serra levou o assunto a ser comentado como acontecimento ornitológico do século na Amazônia. Os feitos abriram novos debates sobre o fomento do ecoturismo e da observação de aves, desenvolvendo a economia ao passo que preserva a natureza.

“A descrição de uma espécie nova de Inhambu depois de quase cerca de 80 anos, mostrou de fato o nosso potencial e isso traz uma reflexão muito grande para que todos os atores, autoridades, tomadores de decisões e a nossa sociedade tenham um olhar de preocupação e de atuação, porque a gente tem, de um lado essa espécie recém descrita vulnerável, mas que a gente pode tornar isso uma oportunidade para atuar como um estado que protege suas espécies e gera benefícios financeiros com a conservação da natureza”, destacou Ricardo.

A sururina-da-serra, classificada como vulnerável, pode ser vista como uma “espécie bandeira” e “guarda-chuva” para a conservação ambiental, destaca o biólogo. “O desafio é esse, tornar a conservação da natureza algo que gere renda para as comunidades locais, para o estado, para a região como todo, e que essa movimentação ajude a proteger a espécie,” explica Plácido.
[Agência de Notícias]


